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Segundo uma tradição muito antiga, após a dispersão dos apóstolos pelo mundo, o apóstolo São Tiago, foi pregar as "boas novas" em varias regiões tendo ficado um bom tempo na Galicia, extremo oeste da Espanha.
De regresso a Palestina, foi decapitado pelo Rei Herodes, e seus restos mortais, segundo a lenda, foram levados de volta à Espanha por dois de seus discípulos, Teodoro e Atanásio, aportando na antiga cidade de Iria Flávia, na costa oeste espanhola, sepultando-o secretamente em um bosque de nome Libredón. O lugar foi esquecido até que oito séculos depois, um ermitão chamado Pelágio começou a observar um estranho fenômeno que ocorria neste mesmo lugar: uma verdadeira chuva de estrelas caía todas as noites sobre um ponto no bosque, emanando uma luminosidade intensa.
Avisado das luzes místicas, o bispo de Iria Flávia, Teodomiro, ordenou que fossem feitas escavações no local encontrando, assim, uma arca de mármore com os ossos do santo.
Em princípios do milênio atual, continua a lenda, um camponês chamado Pelayo, guiado por muitas estrelas, encontrou em um grande campo, a sepultura do apóstolo.
A notícia correu mundo, lançando uma legião de cristãos a peregrinar até Santiago de Compostela, cidade que se formou na região.
A palavra Compostela, provém de campo de estrelas, ainda segundo a lenda.
Desde então, multidões de peregrinos anônimos vêm percorrendo este caminho mágico, o único no mundo que não se formou por motivos comerciais. Vários daqueles que deixaram o nome na história, como Carlos Magno, El Cid, São Francisco de Assis, Fernão de Aragão e Isabel de Castela, também percorreram o caminho.
Ainda hoje se faz a história do caminho, com a passagem de peregrinos não menos famosos da nossa história contemporânea, como artistas, escritores, historiadores, etc.
A partir da descoberta do túmulo do Santo Apóstolo, no século IX, a curiosidade encarregou-se de demarcar os diferentes caminhos que, partindo dos mais longínquos pontos da Europa e, em especial da Ibéria, iam se formando pela sedimentação das trilhas deixadas pelos primeiros peregrinos que se dirigiam àquele Santo Lugar.
Não dispondo de outro meio de locomoção, se deslocavam a pé, restando aos membros da nobreza e do clero o uso do cavalo para a montaria e da besta como meio de transporte da carga, tão indispensável ao sustento, abrigo, defesa e vestimenta, em face do grande tempo de duração dessas longas viagens.
A Rota de Santiago é o mais extraordinário trajeto monumental de todo Ocidente. São centenas de construções civis, militares e religiosas acrescentadas através dos séculos, que constituem-se muitas delas exemplos maiores de seus estilos arquitetônicos (românico, gótico, barroco, plateresco e neoclássico). Assim, em 1993 o Caminho de Santiago de Compostela foi declarado Patrimônio da Humanidade por Decreto da Unesco
Hoje em dia, pessoas de todas as idades imitam os passos medievais e percorrem este antigo traçado; uns por espírito religioso-cristão, outros por misticismo, busca interior ou apenas como uma grande aventura.
A popularização do Caminho no Brasil deve muito ao escritor Paulo Coelho, que em seu livro “O Diário de Um Mago”, expôs sua peregrinação pelos campos espanhóis
Em 15 de julho de 1999, o conhecido advogado gaúcho, João Jose de Oliveira Machado foi o primeiro brasileiro credenciado pela Associação dos Amigos do Caminho de Santiago a fazer o Real Camino Francés a cavalo.
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