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10/09/2010 |
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Revista Horse - Machu Pichu a cavalo
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Depois de uma “escala” em Lima somos recepcionados no aeroporto de Cusco e seguimos direto para nosso hotel em Urubamba no Vale Sagrado dos Incas. Uma viagem muito bonita que já nos dá uma boa idéia do que teremos pela frente em termos de topografia e de “cultura peruana”.
Depois de “instalados”, vamos conhecer o famoso mercado de artesanato de Pisac e retornamos ao hotel. Passamos a noite em Urubamba para fazermos uma aclimatação a altitude em que vamos permanecer durante os próximos dias (variando entre os 3.400 e 4.600 metros).
No dia seguinte saímos cedo do hotel para visitar Ollantaytambo e seu forte Inca, seguindo depois para Cusco para o almoço seguido de um tour guiado para conhecer o Templo do Sol, a Praça de Armas, a Catedral e o distrito boêmio de San Blas, dentre outros atrativos. Fundada no século 11, Cusco que foi a Capital do Império Inca era o centro político e religioso do Império e por isso os conquistadores espanhóis fizeram questão de marcar sua presença construindo “em cima” dos principais palácios e templos incas. Muitas igrejas, museus e prédios coloniais valem a visita alem das ruazinhas de pedra com muitas lojas e vendedores de um rico e colorido artesanato. Dormimos em Cusco num ótimo hotel instalado num antigo mosteiro.
No 3º dia, saimos cedo para nossa “cavalgada com estilo” com destino a Machu Pichu.Seguimos de carro ate as ruínas incas de Tarawasi localizadas próximo a cidade de Limatambo (cerca de 1 ½ hrs de Cusco). Esse templo inca era um ponto de parada para os viajantes incas que vinham da costa para Cusco.
Continuando nossa viagem, fizemos uma parada para café na vila de Mollepata, (tradicional ponto de partida para quem vai a Machu Pichu pela Trilha Inca de Salkantay) e seguimos para o Rancho Coronilla, onde ficam os cavalos e base de saída de nossa cavalgada.
Após um lanche de almoço recebemos todas as informações acerca de nossos cavalos e da trilha e fizemos uma pequena volta de familiarização com os cavalos antes de partir. Esta primeira cavalgada é uma espécie de reconhecimento quando podemos observar o desempenho de cada um e fazer os ajustes se necessário.
O caminho para Soraypampa segue por montanhas com muitas
pedras e um bonito vale com um rio correndo entre as pedras. Durante o percurso pudemos observar um antigo canal de irrigação Inca “cortando” a montanha “do outro lado” do rio e tambem uma mata de arvores polylepis (queunas), nativas da região. Após 3 horas de cavalgada, surge como uma miragem a visão do lodge aos pés do nevado Salkantay (3.850ms) - uma das montanhas mais sagradas da cosmologia Inca. A equipe de funcionários nos espera com uma calorosa recepção servindo chá quente de coca, cuidando de nossos casacos, e trocando nossa bota suja por um chinelo limpinho e nos acomodando ao lado de uma lareira aconchegante. No quarto nos espera uma cama king size, edredon de plumas, travesseiros de penas de ganso, aquecedor elétrico e um bom banho quente.
Um mergulho rápido na cultura Inca e na geografia local mostra que os quinhentos anos sob o domínio da coroa espanhola não conseguiram sufocar na cultura inca a crença nos elementos da natureza, o amor à mãe terra (Pachamama), a obediência ao calendário das constelações e a fé nos espíritos sagrados (Apus) das grandes montanhas. Ao entrar num caminho sagrado como o do Salkantay, é recomendado realizar, uma oferenda pedindo proteção aos Apus.
A partir daqui vamos iniciar a parte mais difícil, inóspita e mais bonita da Trilha Inca de Salkantay, trilha que é considerada melhor opção que a tradicional Trilha Inca, que vive lotada, com fila de espera e por onde passam 500 pessoas por dia – contra 70 na de Salkantay.(fica parecendo uma trilha quase exclusiva) E melhor, não é preciso carregar mochilas, acender fogareiros ou dormir em barracas, toda a bagagem segue com uma tropa de mulas comandada por arreeiros. A empresa MLP construiu 4 Lodges de Montanha localizados em cenários cinematográficos, um a cada dia de viagem ( sendo 3 deles com apenas 6 apartamentos) Cada Lodge foi projetado para representar uma tradição Inca.e o Salkantay Lodge foi projetado para representar a tradição dos palácios Incas. Nosso grupo é de 8 pessoas ( o máximo permitido),e anda sempre com dois guias. Um na frente, outro atrás, e fechando a comitiva, nosso médico cavaleiro para os que por ventura precisarem de uma “ajuda” ( principalmente em virtude da altitude) , de seu kit de primeiros socorros e a garrafa de oxigênio. Apesar da mordomia, é bom se preparar para o frio de montanha e ter algum preparo físico
Nos Lodges, o cardápio é elaborado por uma nutricionista e os pratos servidos com detalhes artisticos por um chef que abusa de alimentos leves e energéticos, como a quinoa nativa dos Andes. Há ainda surpresas, como a bolsa de água quente colocada debaixo das cobertas na hora de dormir e os bombons em cima da cama. Após uma noite de grandes sonhos, o segundo dia de cavalgada é dedicado à aclimatação aos efeitos da altitude e nossa cavalgada segue até a base do nevado Humantay, partindo dos 3500 metros de altitude, rumo aos 4200m e depois baixando – uma estratégia utilizada por montanhistas. Num determinado ponto, deixamos nossos cavalos com os guias e subimos um pequeno trecho ate o lago: Soray, “os olhos de Humantay”, cuja água vem dos glaciares da montanha do mesmo nome. A vista é deslumbrante; um lago que pode estar verde ou azul ( dependendo do tempo estar nublado ou não ) emoldurado pela montanha nevada ! Os Incas consideravam os lagos glaciais como sendo “olhos” da montanhal.
De volta ao Lodge, depois de uma relaxante ducha ou banho na Jacuzzi (ao ar livre e aquecida a 37º C ) o grupo se reúne na sala da lareira para receber o briefing do dia seguinte.
Após mais uma noite no Salkantay Lodge, abençoados pelos xamãs ( como eram chamados os “pagés” na cultura Inca ), começamos cedo os preparativos para nossa subida ao Paso de Salkantay num percurso que é o mais difícil mas também o que apresenta as melhores paisagens. Salkantay é o 2º pico mais sagrado na mitologia Inca e com seus 6.270 ms é o mais alto na região
São preparativos de uma verdadeira expedição; podemos ver o carregamento de nossa bagagem nas mulas (curiosidade: elas são vedadas com típicos panos coloridos na hora do carregamento) e acompanhar a preparação dos cavalos. A saída para o vale do Wayraccomanchay é triunfal, alem de nosso grupo, os muleiros com toda a bagagem, o cozinheiro e seu assistente que vão nos acompanhar durante os próximos dias ( os muleiros saem um pouco depois e no meio do caminho nos alcançam e seguem em frente enquanto o cozinheiro que saiu antes estava nos esperando no meio do dia com o almoço pronto no acampamento “armado” no meio da trilha. )
Devagar subimos admirando um casal de condores fazendo suas evoluções. Avistar essa ave, considerada pelos incas mensageira dos Apus, é sinal de sorte. Logo adiante surgem as apachetas, montículos de pedras empilhadas para mostrar seu respeito aos Apus, (tradição que nós tambem mantemos colocando nossa apacheta no local)
Os Incas usaram este “Passo” como um cemitério e hoje o que vemos são inúmeras pilhas de pequenas pedras empilhadas pelos que por lá passaram num sinal de respeito pela montanha. A 4700 metros de altitude (ponto mais alto de nossa viagem), estamos no Passo de Salkantay, com as neves do Salkantay quase a tocar os pés, um momento de reflexão e emoção.
Depois de uma parada no “Paso”para fazer nossa “oferenda” e nossos “pedidos” começamos a descida rumo ao Wayra Lodge (“Wayra”: vento; “lugar aonde o vento mora), uma construção de pedras ao sopé da outra face do Humantay, a face norte, com ovelhas pastando ao lado de um rio de águas turquesa.
O Wayra Lodge tem como motivação a religiosidade dos Incas e em sua decoração vemos ricas peças de artesanato de rituais Chaman. Passamos a noite com a visão de nossos cavalos pastando cobertos com suas mantas no gramado junto a nosso quarto.
No dia seguinte um percurso com mais vida pelo caminho, a paisagem começa a mudar completamente: são as matas tropicais de altitude com orquídeas, bromélias, samambaias e borboletas e muitos pássaros. Uma descida tranqüila em que cruzamos pequenas comunidades nas montanhas e passamos por trechos estreitos aonde descemos dos cavalos e passamos a pé, enquanto nossos cavalos são conduzidos pelos guias.
O Colpa Lodge (2.840ms) fica encravado no final de uma cordilheira de montanhas, aonde fomos esperados com uma Pachamanca, receita tradicional das montanhas aonde diversas variedades de batata e de carnes ( bovina, suína, aves e porquinho da Índia) são assadas enterradas entre pedras fervendo...O Collpa Lodge foi construido num “platô” na confluência de 3 rios que se juntam para formar o rio Santa Teresa que segue ate Machu Pichu. Tal qual os demais, este Lodge também tem um estilo único e como motivação a arte e a musica dos Incas. Mascaras coloridas utilizadas em danças e “ponchos” usados em cerimônias enfeitam as paredes. A jacuzzi na frente do Lodge tem uma vista panorâmica imperdível das montanhas que estão ao redor.
Após o café da manhã, começamos nossa descida pelo vale do rio Santa Teresa, junto à mesma vegetação exuberante do ecosistema “cloud Forest”. Cruzamos com inúmeras nascentes e alguns trechos estreitos onde descemos dos cavalos e passamos a pé, enquanto nossos cavalos foram conduzidos pelos guias.
Durante o percurso encontramos nosso chefe de cozinha já instalado e um ponto de parada aonde nos serviu uma refeição gourmet .
Após cerca de 4 ½ horas de cavalgada chegamos ao inicio da Trilha Inca de Llactapata aonde vamos ter que nos despedir de nosso companheiro de jornada (nosso cavalo) e seguir a pé por cerca de meia hora até chegarmos ao Lucma Lodge ( 2.150 ms).
Projetado para celebrar a natureza, este Lodge alem de estar totalmente integrado ao meio ambiente de seu entorno, tem em seu interior plantas e imagens que representam esta proposta.
Depois de mais uma noite agradável, sentindo falta de nossos cavalos, começamos um dia diferente “caminhando” ...Começamos cedo nossa subida de 650 ms ate a passagem Llactapata que esta a 2.800 ms. Durante toda a subida pudemos apreciar uma vista espetacular e alguns minutos após a “passagem” encontramos as ruínas de Llactapata, ainda em restauração ( ou seja com partes intactas !) , um sitio arqueológico pouco visitado, e de onde poderemos ter nossa primeira vista da Sétima Maravilha do Mundo, a cidadela de Machu Pichu, que apesar de distante, é algo impressionante e de um lado (sudoeste) singular,que poucos tem a oportunidade de apreciar.
Após descermos mais alguns minutos encontramos um local de apoio aonde fizemos nosso “lanche/almoço de trilha” ainda com a visão privilegiada de Machu Pichu.
Continuamos nossa descida (total de 800 ms) até o Rio Vilcanota
passando por algumas culturas de banana e café.
Ao chegar ao rio procuramos refrescar e aliviar os pés antes de seguir mais alguns poucos quilômetros ate a estação de trem que nos levou numa breve viagem ate a cidade de Águas Calientes, aonde a equipe do hotel estava nos esperando.
Um despertar bem cedo é sugerido para aqueles que querem ver o sol nascer em Machu Pichu. (vale à pena) Os primeiros raios de sol tocam a cidade de pedra iluminando terraços, praças, observatórios e templos. Os Incas preservaram um de seus mais belos segredos no alto de uma montanha no meio dos Andes. A chegada à cidadela é o momento triunfal da viagem. Temos uma vista incrível do alto dos terraços ! Não há como não se surpreender a cada construção de pedra, os templos, as praças, os mirantes e os entalhes precisos nas pedras. Um lugar aonde o tempo parou...A verdadeira historia dessa construção ainda é um mistério, mas uma coisa é certa, o lugar transmite uma sensação de paz muito grande !
No final da tarde embarcamos novamente no trem em Aguas Calientes, com destino a Ollantaytambo (cerca de 1 ½ hs) onde nos esperava um carro para o transfer a Cusco e final de nossa viagem.
Sem duvida, uma experiência única !
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